sexta-feira, 15 de março de 2024

 AACEP:

ADMINISTRAÇÃO TUMULAR

Luiz Ferreira, 87

(Aposentado, associado) 

Estamos na era cibernética que nos propicia informar, descobrir pessoas, aproximar dos entes e amigos distantes e, ademais, tornar eficaz – rápida e rasteira – as empresas.

Infelizmente, a nossa AACEP – Associação dos aposentados e pensionistas da CEPLAC – está démodé.

Ela, mesmo com um contingente de centenas de contribuintes, não os mantém informado e nem está aí para os que reclamam, exigindo seu direito da informação requerida.

E nem se atenta para os que já passaram dos 80 que, por Lei (anexo) tem prioridade e, ademais, respeito. Evoquei e a resposta era que dispunham de outras prioridades. Pasmem, uma Instituição que congrega idosos!

Esse introito é para expor a falta de consideração a seus associados e tantos outros que contribuíram para o CEPLUS, quando da distribuição de suas cotas, criando um ambiente de desinformação, num tumulto desnecessário, justamente pela falta de um canal informativo.

A impressão que se tem é que a tarefa tomada para si, nessa questão dos precatórios, era muita areia para o caminhãozinho de seus dirigentes, em razão da falta de estrutura da AACEP, não se importando com o que poderia acontecer, na ponta final, com os transtornos aos legítimos beneficiários.

Estes, em consequência, tem amargado dissabores – repito – quando não estão pedindo favores, mas exigindo seus direitos, fruto da insensatez da atual administração.

Quando da primeira cota, foi um Deus nos acuda. Agora, nesta segunda, os ventos sopram no mesmo sentido. E ainda tem o documento para fins de imposto de renda que, até hoje, não foi liberado, descumprindo determinação da receita federal, cujo prazo já venceu.

Que Deus se apiede da sorte dos "velhinhos ceplaqueanos" (Maceió, 15 de março de 2024)


sábado, 2 de março de 2024

AGRICULTURA

 



 PRODUTORES RURAIS

Luiz Ferreira da Silva.87

Engenheiro-Agrônomo

 

É a classe mais importante em qualquer país. Não produzem foguetes, nem automóveis e, tampouco, jatinhos. Mas, simples pratos de comidas para alimentar os operários, os donos de bens suntuosos, os empresários industriais, os donos de bancos.

Na Europa, eles estão indo às ruas reivindicarem seus direitos consentâneos ao seu trabalho diferenciado, sujeito às chuvas e trovoadas, além de inimigos naturais. Nada a ver de outros setores que operam na sombra e sob o bem-bom do ar-condicionado.

Infelizmente, por insensibilidade dos poderosos, não chegam aos mais necessitados que vivem à margem. Um Brasil injusto com milhões passando fome.

Falta ao homem rural se conscientizar do seu poder e se fazer jus ao seu valor! (02-03-2024).

 


sábado, 24 de fevereiro de 2024

BOSQUE - BAHAMAS - BARRA DE SÃO MIGUEL.

 

LUIZ FERREIRA DA SILVA

 

 
(Maçaranduba, árvore secular, patronesse do bosque)

 

PROJETO BOSQUE DA MATA ATLÂNTICA

CONDOMÍNIO ARQUIPÉLAGO DO SOL

BAHAMA

 

Barra de São Miguel, 12 de novembro de 2011.

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 PROJETO BOSQUE DA MATA ATLÂNTICA

Condomínio Arquipélago do Sol/Bahama

Luiz Ferreira da Silva, 74 (2011)

Eng. Agrônomo e Escritor

luizferreira1937@gmail.com

                                                                                                                                                                                                               NOTA/fevereiro,2024:

Grande parte do projeto foi implantado

 no período 2012/2018), período em que

o autor era condômino do Bahamas.

 

I. INTRODUÇÃO

O “Bahama”, uma das 3 unidades do Condomínio Arquipélago do Sol, situado na Barra de São Miguel, possui sua área drenada pelo rio niquim que o limita por toda parte leste, distanciado (margem direita) de 15 m em média, formando uma superfície de aproximadamente 12 mil m2.

Em grande parte dessa área não mais existem espécies da mata ciliar, com a invasão de gramíneas, ciperáceas e alguns arbustos introduzidos, a exemplo do sabiá, da amendoeira da praia e da palheteira.

Urge, pois, a necessidade de se recompor esse espaço com espécies arbóreas, como uma contribuição, mesmo modesta, mas significativa, como o beija-flor da fábula que contribuiu para apagar o incêndio na floresta, à sua maneira e nas forças que dispunha.

II. MATA ATLÂNTICA

Trata-se de uma vegetação exuberante, com uma diversidade genética ímpar – mais de 300 espécies por hectare. No sudeste da Bahia, o autor identificou 8.128 exemplares em área equivalente, atestando a riqueza genética do ecossistema.

Por essa sua exuberância florestal com diversos extratos fisionômicos e biodiversidade, atua como repositório de matéria orgânica para o solo e como carreadora de nutrientes das capas inferiores para as superiores, sendo importante na formação dos solos, através das ações mecânicas e químicas exercidas pelas raízes. Também desempenha papel fundamental como controladora dos efeitos da erosão.

Esse ecossistema abrange a floresta perenifólia higrófita (desenvolvida em clima úmido e sobre solos do terciário/tabuleiro e do cristalino); a floresta perenifólia higrófita ribeirinha (que ocupa os diques marginais e terraços aluviais dos grandes rios) e a floresta semi-caducifólia (clima de transição).

Constitui-se de árvores de grande porte, às vezes com raízes tabulares (Sapopemba), presença de epífitas (aráceas, bromeliáceas e orquidáceas) e com tonalidade verde-escura de suas folhas.

Possui como característica importante, quantitativo elevado de espécies endêmicas e riqueza em espécies. Estudos desenvolvidos pelo Jardim Botânico de Nova Iorque e a CEPLAC-CEPEC, BA, atestam que essa floresta apresenta a maior biodiversidade em espécies arbóreas do planeta.

Dois outros tipos de vegetação se interagem com a mata atlântica: o complexo da praia e restinga, constituído de comunidades vegetais herbáceas e arbustivas e a floresta perenifólia paludosa (mangue), constituída de comunidades heliófilas.

As ações antrópicas e atos irracionais – mau uso do solo, desmatamento criminoso e inadequação de cultivos – destruíram mais de 95% dessa floresta e comunidades afins, havendo a necessidade de recompor as áreas em processo de deterioração solo/vegetação.

III. ESCOLHA DA ÁREA

A ideia é se recompor a mata ciliar no limite do condomínio, de modo manter o rio niquim com condições hídricas favoráveis ao seu perfil hidráulico, cumprindo a sua missão drenante e de manutenção ictiológica.

Pensou-se um pouco além, escolhendo-se uma área de 700 m2, em uma posição estratégica, na qual será possível o replantio de outras espécies afins ao ecossistema da mata atlântica, além da implantação de um bosque com espécies representativas, objetivo principal do presente projeto.

Agregue-se a isso tudo, a presença majestosa de uma bela árvore, digna representante do ecossistema em foco, passando a ser a PATRONESSE do empreendimento ecológico: uma maçaranduba secular com 3 metros de diâmetro DAP).

IV. OBJETIVOS

1. Servir de lazer como ponto de adoração à natureza e consequente energização vegetal, possibilitando descanso, reflexões e leituras;

2. Implantar espécies de alto valor para o ecossistema da mata atlântica, em processo de extinção;

3. Constituir-se num modesto arboreto, fundamental a estudos futuros por estudantes em Biologia, Agronomia, Engenharia Florestal e Botânica, dentre os quais:

(a) Interação solo/vegetação;

(b) Reciclagem e produção de matéria orgânica;

© Capacidade de seqüestrar carbono;

(d) Microorganismos do solo; e

(e) Fenologia.

4. Enriquecimento do dossel vegetal atualmente existente no condomínio;

5. Multiplicação das espécies através das sementes e produção de mudas;

6. Educação ambiental; e

7. Valorização do próprio Bahama pela condição dessa área florestal implantada, “sui generis” nos condomínios que se tem conhecimento..

V. METODOLOGIA 

A área será dividida em três partes, discriminadas a seguir.

1. Sala de visitas, sob a sombra da maçaranduba e de uma mangueira, também majestosa, abrangendo uma área de 200,00 m2. Na entrada, um muro vivo de cruzias e/ou exoras. No interior, uma mesa rústica de granito e bancos do mesmo material. Haverá uma iluminação direcional e condições para acesso à internet.

2. Área central balizada (4 x 4 metros), comportando 25 covas adredemente preparadas para o plantio das espécies florestais, constituindo o Bosque da Mata Atlântica propriamente dito.

Dentre as árvores a serem plantadas, um elenco está sendo visualizado, constituído, dentre outras, espécies arbóreas de alto porte: pau-brasil, Joeirana, jatobá, sapucaia, aroeira, ipê roxo, ipê rosa, ipê amarelo, peroba rosa, amora, ingá, mulungu, pau-ferro, brinco de viúva, gabiroba, vinhático, jacarandá, sucupira, jindiba, imbiruçu, oiti, jacarandá.

O plantio será em covas de 30 x 30 x 30cm, em razão de não existir qualquer impedimento físico no solo (sedimentos arenosos de origem fluviomarinho). No entanto, em razão da pobreza química e mineralógica carência de nutrientes, baixa capacidade de troca catiônica e escassa retenção de umidade, proceder-se-á a implantação com a formulação específica:

·         24 kg do solo arenoso (AQM + Aluvião arenoso), retirados da cova : 60%

·         08 kg de barro vermelho (em torno de 40% de argila): 20%

·         06 kg de terra preta ou esterco: 15%

·         02 kg de NPK, podendo ser com fertilizantes individualizados (uréia, cloreto de potássio e superfosfato) ou usada uma fórmula pronta (10-10-10, por exemplo): 5%.

Essa mistura (40 kg) será em parte incorporada à cova e, o restante, em um círculo (D= 50 cm) ao redor da planta. Num primeiro momento vai alimentar as raízes da planta contidas no saquinho de polietileno, em profundidade e, posteriormente, o novo sistema radicular distribuído horizontalmente.

3. Àrea lateral, margem do rio, a uns 2 metros em média das árvores plantadas, na qual será feita uma cerca viva, podendo ser de sabiá (sansão do campo), guajiru (espécie já rara do ecossistema das restingas) ou mangue de botão, mais próximo a calha do rio, dependente do grau de salinidade.

VI. COLABORADORES 

Todo o apoio está sendo desprendido pela Direção da APMLS (Associação dos Proprietários, Moradores do Arquipélago do Sol/Bahama), nas pessoas do Sr Presidente, Carlos, e Administradores, Denison e Luilson, sem se esquecer do importante trabalho do pessoal de apoio operacional, os chamados eficientes peões.

Além disso, conta-se com o incentivo e colaboração dos Engenheiros Agrônomos, Drs. Crizanto e Luiz Carlos, proprietários de imóveis no Condomínio, providos de sensibilidade ambiental.

VII. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com 74 anos (2011), ainda tenho projetos a executar antes de poder dormir, sem os quais a vida não teria sentido. O presente Bosque é um deles com a conotação da eternidade, em razão da condição longeva das espécies selecionadas, que permanecerão vicejando por séculos. Nesse espaço, as árvores serão implantadas no chão e fincadas também na alma e no coração, de modo a que o autor permaneça sempre vivo, independentemente da sua presença física, energizando-se com as emanações dos vegetais, seja em que lugar esteja.

VIII. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CORREA, F. 1966. A reserva da biosfera da mata atlântica. Caderno n.2. Série Cadernos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, São Paulo, SP. 27 p.

SILVA, L.F Da e MENDONÇA, J.R. 2000. Terras avistadas por Cabral (Mata Atlântica): 500 anos de devastação. Universidade Estadual Santa Cruz, Ilhéus, Ba. 43 p.

 

SILVA, L. F. Da. Solos Tropicais: aspectos pedológicos, ecológicos e de manejo. Editora Terras Brasilis, SP. 137 p.

 

SILVA, L. F. Da. 1990. Interação solo-vegetação em floresta primária e capoeira do ecossistema de tabuleiro do sul da Bahia. Agrotrópica, Itabuna, BA, 2 (2): 96-104.

 

SILVA, L.F. Da. 1981. Alterações edáficas em solos de tabuleiro (Haplorthoxs) por influência do desmatamento,  queima e sistemas de manejo. Revista Theobroma 11(1): 5-19.

 

SILVA, L.F. Da. 1988.Alterações edáficas provocadas por essências florestais implantadas em solos de tabuleiro no sul da Bahia. Revista Theobroma, n.4; v. 18, Ilhéus, BA.

 

THOMAS, W. ET AL. 1997. Plant endemism in two forests in southern Bahia, Brasil. Biodiversity and Conservation 6, 000-000, NY, USA, 12 p.

 

 

 

oOo

 

 

 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

DIPOMACIA

                                             INSTITUTO RIO BRANCO

                                         Luiz Ferreira da Silva, 87




Casa de homens finos, educados e cultos. Acesso à classe alta que tem uma formação de berço bem diferente dos demais brasileiros. Fazem carreiras com muitos estudos para serem diplomatas. E vivem sob regras consensuais na busca de encontrar soluções para problemas internacionais, com sabedoria e culto à autodeterminação dos países.
Ofícios respeitosos, reuniões e encontros produtivos em lugar de confrontos e xingamentos.
O chamado caminho da DIPLOMACIA.
O mundo mudou? Tudo jogado no lixo e as desavenças passaram do papel bem escrito com o carimbo diplomático para as famigeradas redes sociais da internet.
Do bom senso, da discussão inteligente ….para a ignorância “túrgida”.
É muito triste! (21-02-2024)


terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

CONTRADIÇÃO FLORESTAL

 

INTERAÇÃO SOLO-VEGETAÇÃO NOS TRÓPICOS ÚMIDOS E A CONTRADIÇÃO FLORESTAL,

Luiz Ferreira da Silva, 87

Engenheiro agrônomo, Pesquisador aposentado (CEPLAC/BA).

luizferreira1937@gmail.com


A floresta primária nos trópicos úmidos é exuberante, com produção em torno de 200 m3 de madeira comercial por hectare (árvores com diâmetro superior a 20 cm); constituída de diversos estratos de comunidades vegetais, a exemplo da mata que recobre os tabuleiros do Nordeste em sua faixa úmida costeira e os trópicos úmidos da Amazônia.

Trata-se de uma vegetação em estado de clímax (Sioli,1973), apresentando quatro componentes básicos (Poggioni, 1976), do ponto de vista funcional:

(a) Substâncias abióticas: componentes vivos do meio, como a água e os nutrientes;

(b) Produtores: organismos autotróficos que, no caso específico, são as árvores, arbustos e ervas;

(c) Consumidores: organismos heterotróficos; em sua maior proporção, animais que ingerem vegetais ou outros animais; e

(d) Decomposição ou micro consumidores: incluem-se bactérias, fungos etc., que agem na desintegração dos organismos mortos.

Conjuntamente, a vegetação e o solo constituem um sistema no qual cada um dos elementos, sejam eles orgânicos ou inorgânicos, afetam e são afetados uns pelos outros. Tais componentes fazem com que os nutrientes estejam em constante movimentação, indo de um para o outro, constituindo assim o ciclo de nutrientes que, por sua vez, pode ser dividido em duas formas, conforme Demattê, 1988):

(a) Ciclo geoquímico: inclui as formas de transferência de nutrientes para dentro ou para fora do sistema; e

(b) Ciclo biológico, ou interno, que corresponde à ciclagem interna dos nutrientes no sistema.

Dessa forma, o ciclo de nutrientes possui duas áreas de estocagem: a biomassa e os primeiros centímetros do solo.

Essa interação solo-vegetação é, pois, algo fantástico e até intrigante, constituindo na grande "contradição tropical": vegetação exuberante desenvolvida em solos pobres. Como é possível isso? Que mistérios existem no ecossistema tropical que fazem as plantas crescerem em solos ácidos e inférteis? E por que ainda não foram desenvolvidos sistemas de agricultura sustentável, assemelhados à floresta?

São indagações para fins de pesquisas. É fundamental conhecer como se processa a formação de uma floresta em solos Oxisols/Ultisols, estudando-se com detalhes, inclusive, o sistema de regeneração natural (desenvolvimento das capoeiras), a exemplo de trabalhos feitos por Silva (1990).

Em razão desses fatos e especulações, é fundamental se entender a associação das plantas no sistema florestal, no que diz respeito às interações fenológicas, sucessão vegetal, qualidade do "Iitter" e atividades das raízes nas camadas do solo, com vistas a subsidiar os sistemas agrícolas.

Tudo isso na intenção de maximizar a interação solo-cultivo, de modo a não deteriorar o complexo edáfico e manter o equilíbrio biológico-econômico. Em outras palavras, um indicativo seria associar espécies de valor econômico, com base nessa premissa de interrelação solo-planta, com características diferenciais quanto à:

(a)         Acumulação de matéria orgânica;

(b)         Riqueza nutricional do "Iitter";

(c)          Fenologia;

(d)         Exploração do solo em distintas camadas/horizontes;

(e)         Eficiência na reciclagem dos nutrientes: e

(f)           Especialização em solubilizar nutrientes.

 

Silva (1990) comparou uma floresta primária do ecossistema dos tabuleiros, no Sul da Bahia com urna capoeira oriunda, de doze anos de idade, no intuito de tentar entender certos mecanismos de formação e manutenção do sistema em relação ao ambiente tropical de solos pobres.

A estratificação da vegetação dá ideia da exuberância da floresta primária nos tabuleiros, cuja cobertura vegetal se assemelha à da Amazônia, com uma extraordinária diversidade biológica. Por outro lado, a capoeira se apresenta com uma comunidade vegetal muito rica, demonstrando a capacidade regenerativa da floresta, nas condições do estudo (áreas contíguas à mata).

Trata-se de uma cobertura vegetal com grande número de espécies "pioneiras", que desaparecem com o tempo, dando lugar as árvores definitivas, após cumprirem sua "missão", a de fornecer condições - preparar o "terreno" - para o desenvolvimento da futura floresta, assim se induz, sem o “certificado” científico.

Um exemplo que pode corroborar com essa provável assertiva, na qual cada planta ou grupo de plantas tem uma função no sistema florestal em "comum acordo" com o solo, diz respeito à emergência de uma espécie herbácea, denominada "bredo de veado", imediatamente após as queimadas, nos pontos de maior concentração de cinzas, onde o pH é elevado (em torno de 7,5), vegetando com exclusividade nesse ambiente alcalino. Ela cresce rapidamente e frutifica com abundância atingindo uma altura de 100 cm, com 6 meses de ciclo de vida, deixando uma considerável biomassa para o solo, sobretudo com elevado teor de potássio (5,10%; massa seca). conforme análises químicas feitas pelo autor.

A "missão" dessa planta seria - quem sabe? -  de reter o potássio das cinzas, evitando as perdas por lixiviação, fornecendo-o ao solo através da matéria orgânica oriunda da sua biomassa, propiciando condições para o desenvolvimento de espécies subsequentes. Este é um caso de função específica; outros são de interrelação nas comunidades vegetais e entre elas.

Por outro lado, na capoeira o crescimento das raízes finas (radicelas de até 2,0 mm), regeneradas no tempo de 7 meses é maior na capoeira, indicando maior dinamicidade nesse ambiente ecológico regenerativo, com influência na reciclagem dos nutrientes e na absorção de água, cuja. performance neste estágio florestal, evidencia a sua dinamicidade biológica, indicando um processo eficaz de reciclagem, no qual as espécies se associam e se interagem sequencialmente, como se existisse um tipo de comensalismo.

Ademais há um diferencial entre as espécies da mata e da capoeira, no que se refere aos nutrientes contidos em suas folhas, com tendência de maior quantitativo na área da capoeira. Seria uma maneira de enriquecer o solo para gáudio da floresta definitiva?

Em síntese, o sistema florestal com essa interação em seus estratos arbóreos, arbustivos e de cobertura (herbáceos), está a indicar o caminho a ser pesquisados sistemas de agricultura assemelhados, de modo a que se obtenha um equilíbrio solo-planta, mantendo-se as condições do complexo ecossistêmico.

 

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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

 

01.. DEMATTÊ. J.L.I. 1988. Maneio de solos tropicais úmidos da região amazônica. Campinas. SP. Fundação     Cargill.215 p.    

02. POGGIANI, F. 1976. Ciclo de nutrientes e produtividade de floresta implantada. Silvicultura, São Paulo. 1(3):45-48.

03. SILVA. L.F. 199I. Manejo dos Recursos Naturais dos Trópicos Úmidos

e suas consequências. contradições e perspectivas de uso em agricultura sustentável. Revista Agrotrópica. Itabuna. BA. 3 (I): 15-11.

04. SIOLI, H. 1973. Ecologia da paisagem e agricultura regional na Amazônia. A Amazônia Brasileira em Foco, 8:18-27.

 

CNBB 2024

 

FRATERNIDADE E AMIZADE SOCIAL

Luiz Ferreira da Silva

luizferreira1937@gmail.com

 

 



 

A CNBB lançou a sua campanha/2024, com base em Mateus: (Mt, 23,8) vós sois todos irmãos e irmãs”.

Á luz de Deus, sim. Dos homens, nem sempre. Muitos ricos se acham superiores aos pobres. Os que detêm poder, seja o que for, esnobam os seus subordinados. Os que se acham belos desdenham os de menos atributos físicos.

E outras excrescências pontuais. Os que passam férias em Dubai tem o nariz empinado para os farofeiros do piscinão de Ramos. Os chamados “Globais”, nem falar da sua petulância ante os colegas de outras mídias. Os blocos de carnaval de Ipanema relegam os suburbanos da Central do Brasil. Os que dirigem uma Ferrari, ao entrar ou sair do carro, faz uma “mise en scene “para dizer eu sou o tal e tudo posso, torcendo a cara para dono de um carro 1000.

Isso demonstra o quanto a humanidade está fora do caminho indicado pelos Bispos do Brasil, traçado por Jesus, cujos ensinamentos não chegam à maioria apaniguada, fator principal ao mundo presentemente conturbado: guerras em profusão.

Se todos nós fôssemos irmãos, as famílias brasileiras não estariam se digladiando por alas políticas malfazejas; os russos não teriam invadido a Ucrânia; o Hamas não teria invadido Israel e este não teria revidado em dose dupla; os homens respeitariam as mulheres e não haveria estupro; a sociedade aceitaria a diversidade geral.

Então, caro irmão, quando formos todos irmãos e irmãs, nenhum ser humano em qualquer recanto do universo passará fome.  

Viva, pois a providencial campanha da CNBB, rogando aos céus pela sua eficácia. (Maceió, AL, 19-02-2 023).

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

OS PIONEIROS, BRAVOS HOMENS DO CACAU.

 

UM MONUMENTO AOS CORONEIS DO CACAU

Luiz Ferreira da Silva, 87

luizferreira1937@gmail.com

 


(Monumental aos Bandeirantes, Ibirapuera/SP-SP.

 

Em 2022, com meu colega Moreau, lançamos o livro – O Manjar dos deuses é de dar água na boca (Scortecci Editora/SP), no qual reverenciamos os bravos pioneiros do cacau que nos deixaram um patrimônio agro eco- socioeconômico sem precedentes. Desenvolveram uma agricultura sui generis, interagida com a floresta; criaram uma história além-fronteiras; desenvolveram uma cultura popular e produziram uma riqueza catalizadora de empregos.

Com clarividência, pois, soube o primitivo homem do ca­cau implantar uma lavoura onde nenhuma outra poderia se es­tabelecer agronômica, econômica e ecologicamente, como uma espécie de nicho para esta planta tão dadivosa, numa região de solos pedregosos, topografia acidentada e “muriçocas” sem respeito.

Pois bem. Acontece que o lado explorado, sobretudo pelos famosos escritores foi de serem bárbaros e esbanjadores, desconhecendo o trabalho árduo e destemido em uma região de mata fechada, sem quaisquer infraestrutura e apoio governamental.

Tinham que ser machos no sentido da labuta sol a sol e na defesa do seu patrimônio, ademais da submissão a um código assemelhado ao do Hamurabi: dente por dente e olho por olho.

Imagine o leitor o desbravamento de uma natureza bruta na busca da sobrevivência em ambos os sentidos – física e estipendiá­ria – sob regras e leis dos homens sentados em seus confortáveis gabinetes! Não se daria a posse destas terras selvagens e nem o solo produziria uma riqueza que ultrapassou os umbrais da mata fechada, formando vilas e cidades, enriquecendo uma região.

Começaram pobres, sem dinheiro e sem instrução, subindo na vida pegando no facão, na espingarda papo amarelo, alimen­tando-se de carne seca, farinha e rapadura. Viviam em casebres, dormindo em redes ou em esteiras de palha, como é contado por renomados homens das letras.

Temidos e admirados, eles eram ativos participantes da vida social grapiúna, líderes legitimados pelo voto, quase sempre con­quistado pela força do dinheiro, das armas e controle das instân­cias públicas – a justiça e a polícia.

As supostas maldades atribuídas aos coronéis, apesar de condenáveis, podem até ser classificadas de menor grau compa­rando-as com atos de corrupção praticados pelos políticos no Brasil, haja vista os danos atuais e às gerações futuras.

E com toda a desgraceira, foi graças aos coronéis que o cacau se tornou responsável por 40% da atividade financeira do Estado da Bahia.

No entanto, é importante que se frise que poderia ser dife­rente porque o cacaueiro jamais foi protagonista desta triste ação maléfica do homem. Pelos seus dotes advindos da natureza, ele apenas foi um fator de cobiça desregrada e da ganância do ser humano que continua até hoje.

Os nossos pioneiros não conheceram a vassoura-de-bruxa. Não sei se eles se amofinariam e tirariam o time do campo, pois sem o respaldo técnico-científico, sempre enfrentou a “mela” (podridão parda), a chupança (monalonion), os roedores e tantos outros “sócios” do cacau.

Provavelmente, conviveriam, em razão de suas roças em solos férteis e de cacaueiros jovens, com vigor de alta capacidade de recuperação. Ademais, com seu facão afiado e seu podão areado, não permitiriam um grau de infestação tão elevado, mantendo o fungo sob vigilância constante (podas fitossanitárias).

Diferente de 1989, quando a vassoura pegou o cacauicultor de calças curtas: a lavoura estava quebrada, o produtor descapitalizado, as instituições em declínio e as roças de cacau envelhecidas.

Agora, os televisivos acompanham a TV-GLOBO que exibe dramas vividos na região do cacau, cujo ator principal é Marcos Palmeira, neto do cacauicultor Sinval Palmeira.

 De certa feita, 50 anos atrás, estive em sua residência que mantinha em Itabuna, já que era Deputado Federal pelo RJ, para lhe solicitar permissão a um estudo de perfis de solos que iria amostrar em uma de suas fazendas. A casa estava repleta de netos e, possivelmente, o Marcos estava presente.

Acredito que o bom ator tenha chupado muitas bagas de cacau e recebido informações do avô sobre a epopeia cacaueira.

Se assim aconteceu, vendo-o interpretar um tal de coronel Inocêncio, imagino o quanto deve se lembrar do Dr. Sinval e dito para si mesmo – nada tem a ver, meu avô; ou a Globo é quem sabe das coisas.

Eu que vivi 30 anos sendo “visgado” pelo cacau fico assistindo de camarote, esperando que a região análise e se pronuncie, caso se sinta ultrajada.

E, aproveitando a oportunidade do tema, sugiro aos atuais líderes do cacau - de Ilhéus, de Itabuna, de Camacã e de Ipiaú -, principais polos cacaueiros, que pensem num tributo aos pioneiros do cacau, erguendo um monumento, a exemplo do majestoso Monumento dos Bandeirantes, reverenciado pelo estado de São Paulo. (Maceió/AL, 12-02-2022).