quarta-feira, 10 de maio de 2023

CABEÇA VAZIA, OFICINA DO DIABO.

 


CABEÇA VAZIA, OFICINA DO DIABO 

 Aposentei-me em 1992, com 55 anos, e passei a proferir conferências e assessorar projetos de pesquisas em instituições afins. 10 anos depois, com 65 anos, resolvi  me aposentar outra vez. Então, o que fazer? Na vida profissional escrevi 75 trabalhos técnicos, científicos e de divulgação agronômica. Também, alguns livro técnicos. Peguei essa experiência da escrita e, além, de formatar 5 livros-texto no campo das ciências agrárias, com dados remanescentes da vida profissional, passei a me exercitar na área da literatura, sem qualquer pretensão de me tornar um escritor. Seria uma maneira de continuar aprendendo e fertilizando a caixa preta neurônica. Tomei gosto pela coisa e já editei 25 livros. 

Eu coloco isso no mundo cibernético como um incentivo aos aposentados, muitos deles vivendo improdutivamente, quando poderiam descobrir um talento adicional, talvez nem apercebido, diferente daquela função exercida em sua vida profissional. Quantas pessoas se descobrem com mais de 70 anos e passam a ser felizes em outras atividades, preenchendo o tempo e fazendo o bem?. Uns, escrevendo; outros, pintando quadros e até os que viram hábeis marceneiros, artesãos ou ações espontâneas em templos religiosos e/ou abrigos beneficentes. Tudo vale a pena se a alma não for pequena (Fernando Pessoa). 

Ficar sem fazer nada, jamais. 

Vamos que vamos; Tocando em frente! 

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(Luiz Ferreira da Silva, Maceió, AL, 10 de maio de 2023).

  






 

 


 


 

sábado, 22 de abril de 2023

O MARTELO DA VIDA

 

O MARTELO DA VIDA

Luiz Ferreira da Silva, 86

Engenheiro Agrônomo e Escritor.

luizferreira1937@gmail.com




O RG aponta 60 anos. No Brasil, carimbado - idoso. Realmente, uma idade de muitos pontos de inflexão. É o momento de um NOVO PROJETO DE VIDA.

*. Investir na família prevendo precisar dela mais na frente;

*. Cuidar da coluna, o "calo" futuro, pois acordar com mazelas ou se limitar nas caminhadas são perdas da qualidade de vida;

*. Poupar, pois, o plano de saúde é mais caro e a necessidade de remédios é maior;

*. Ter cuidado com os que lhe acercam, muitos dos quais para lhe roubar, levar vantagem ou perturbar sua Paz.

*. Tirar de seus ombros tudo que começa a pesar, senão se cansa na caminhada.

A partir daí, há necessidade de se manter as pernas em pé, firmes no chão e com boa mobilidade. Também a cabeça fresca, orientando os descartes que pesam em toda a carcaça.

Como ilustração, imaginemos várias tábuas, um bom martelo e pregos de vários tamanhos, inclusive tachinhas. Ao lado uma lata de lixo.

Á medida que a cabeça se anuvia, absorvendo bobagens que poderiam ser delatadas, as tábuas se movimentam e os pregos as acomodam em forma de caixão.

Surge um probleminha, a pessoa o maximiza, e é mais um prego a ser batido. O tamanho dele vai de duas polegadas a uma tachinha, a depender do grau de cooptação do problema. 

Dessa forma, ao invés de usar o martelo, o providencial é encher a lata de lixo, evitando a configuração rápida do famigerado móvel, que pode nos levar prematuramente aos 7 palmos.

Exemplifiquemos. - A fila da Loteria está grande. Ou deixar para depois ou, se resolver a enfrentar, prepare a mente numa boa e não use o martelo. - A empregada não veio e você se estressa. Esquece-a e faça um sanduba com suco de maracujá ou vá se deleitar num fast food no shopping, relembrando tempos jovens.

O mote é: a cabeça emanando bons fluidos e o corpo absorvendo suas ordens, num conluio positivo – mens sano, in corpore sano.

Enfim, deixe o martelo quietinho!

(Maceió, AL, 21 de abril de 2023)

terça-feira, 11 de abril de 2023

CACAUICULTURA TROPICALISTA.

 

O CACAUEIRO, EM MUDANÇA DE MALA E CUIA?.

Luiz Ferreira da Silva, 86

Pesquisador aposentado da CEPLAC.

Membro representante da AGRAL – Academia Grapiúna de Letras.

 

(Roça de cacau sob mata raleada no Sul da Bahia. 

A Natureza proporcionou ao Homem dos trópicos úmidos, uma árvore frutífera, o cacaueiro, que pudesse ser utilizada sem causar danos ao seu ambiente florestal.

Ao facultar um produto nobre – o chocolate – adicionou características fisiológicas inerentes ao complexo do seu habitat, quente, chuvoso e rico em espécies consortes e fauna agregada.

Teria que ser uma planta que reciclasse com eficiência, mantendo a capa orgânica do solo, fator importante para alimentar as raízes finas, que tem a função de arejar o solo, agregar as partículas e evitar as perdas de nutrientes. Enfim, manter a vida do solo.

E para tanto, sob a mata, recebendo pouca luz, forma um “túnel folear”, com as copas se encontrando, evitando que a luz solar danifique o solo. A luz é para as folhas fazerem a sua “química carboidrática” de transformação – fotossíntese, para os puritanos.

A Natureza ainda deu uma colher de chá. Aumentou a sua “plasticidade fisiológica” – conviver em ambiente mais arejado, a exemplo de uma mata raleada – no limite que ainda mantem o cacaueiro na sua missão fitogeográfica de equilibrar o uso com a conservação.

Neste contexto interativo, o cacaueiro usufrui da fauna, notadamente dos insetos polinizadores, alimentados por frutas em decomposição, oriundos do andar de cima, as árvores tropicais.

A Natureza é sábia. Por um lado, criou o cacaueiro com o fenômeno da incompatibilidade sexuada, que se manifesta quando o pólen de uma flor em uma planta não consegue fecundar os óvulos das flores da mesma planta (autoincompatibilidade) ou de outras plantas (Inter incompatibilidade). E até o cacaueiro “macho” ocorre, com raridade nas plantações, com floração e não produtores de frutos.

 Pelo outro, resolveu a questão no próprio meio. Criou as mosquinhas chamadas “forcipomyas”, e não havendo polinização adequada, a lavoura não produz satisfatoriamente.

Por essa razão, alertou ao Homem sobre a importância delas, incumbindo-lhe de cuidar de seus criadouros, os seus locais naturais, a exemplo das bromélias.

 Chegou o cacaueiro no Sul da Bahia. Uma floresta tal e qual a da sua origem, a Mata Atlântica. Encontrou, aí, condições favoráveis de clima, solo, topografia e rede hídrica, razões da sua expansão, chegando a ocupar 600 mil hectares, com a equivalência de uma fonte de divisas de quase 1 bilhão de dólares em determinado ano.

Os pioneiros souberam mesclar a lavoura com a floresta, sem macular o meio ambiente, satisfazendo com a produção auferida, com elevada liquidez, mantendo preservado o ecossistema e proporcionando um epicentro gerador de riquezas com o produto cacau, cujos reflexos se irradiaram pelas áreas circunvizinhas, criando uma estrutura de bens e de serviços que permitiu, com outras atividades agrícolas e congêneres, distribuir benefícios para todas as comunidades, o que infelizmente não foram aproveitados na magnitude dos bônus.

60 anos atrás, um cacauicultor com pouco esforço, com seus 100 ha de cacau, sem usar maquinaria e tudo no lombo do burro, gastando pouco, em sua área cabrocada, mesmo com uma produtividade não tão expressiva, colhia 4 mil arrobas, que o tornava uma Homem, classe média-alta. Com maior presença e bom solo, muitos chegavam a 6 mil arrobas, tornando-se ricos.

Nessas circunstâncias, uma lavoura nota 10. Produtiva e conservacionista.

Lembro-me quando os jovens agrônomos aportaram na CEPLAC, em 1963/65. Tinham os olhos voltados às filhas dos cacauicultores, identificando-as pelo quantitativo de arrobas que os pais produziam.

Acontece que, agora, a visão do agronegócio é puramente economicista. Esgotar os recursos naturais, lucrar, enriquecer e não pensar alhures.

Ninguém, de boa-fé, é contrário ao uso de tecnologias, mas que sejam no limite das alterações, sobretudo do solo e da água.

A cacauicultora sul-baiana passa por maus momentos, mas ainda pode ser importante ao país e sobretudo à Natureza. Não precisa ser uma cabruca conforme apregoada, mas uma plantação sob uma floresta mais aberta, com sol suficiente para impulsionar a produção.

Muito bem. Esse é o panorama do cultivo do cacau que, a meu ver, tem que ser o epicentro da replantação e da expansão de novas áreas, revitalizando o Sul da Bahia.

De repente, o cacaueiro vira retirante. Emigra para os cerrados, um ambiente sem qualquer identificação. Lembrei-me dos “paus-de-arara” nordestinos que viviam no chão duro e quente das caatingas e tiveram que se adaptar ao frio do clima de São Paulo, fazendo jus à Euclides da Cunha, em Os sertões – o sertanejo, antes de tudo é um forte.

Tomara que o Theobrona cacau, majestoso tropicalista, tenha essa rusticidade adaptativa herdada pela mãe-Natureza!

Sim, agora muito sol em sua folhagem, com possível queda prematura de folhas, exigindo constante renovação com o lançamento de brotos tenros, delícias para os insetos, exigindo altas dosagens de inseticidas, afetando os polinizadores.

Um maior esforço radicular ante ao adensamento do solo pelas máquinas pesadas, repercutindo na performance das radicelas e na dinâmica dos microrganismos.

A irrigação custosa que, se não for bem conduzida, em solos que já apresentam adensamento natural, provoca um sub horizonte de baixa difusão de oxigênio, limitando a produção, como acontece em cafezais de Barreiras, sob pivô central, pelo excesso de água e menor fluidez vertical.

E as nossas queridas mosquinhas? O cacaueiro vai ter saudades.

No entanto, o Homem economicista nem está aí para essas informações e nem tem preocupação com o meio ambiente. O importante são os cifrões que substituem a mina de seus olhos.

Foi assim que assisti um vídeo (Cacauicultura 4.0 – A nova era) em que fala da revolução da cacauicultora do Brasil nos cerrados, usando tecnologias de ponta. Todos enaltecendo a produtividade e sem nenhuma menção ao ilustre chegante, reverenciado pela sua postura conservacionista.

Logicamente, ali estavam pessoas sem visgo com o cacau, que nunca foram picados pelos carapanãs dos cacauais de Ouro Preto (RO) ou dos piuns das velhas plantações do Vale do Jequitinhonha (BA). Nem Diretora da CEPLAC, diferentemente do meu tempo, quando os dirigentes eram forjados na própria casa e em suas veias corriam o mel do cacau, não havendo necessidade de “QI” político.

Mas, no momento, não há dados para ser contra e nem ser a favor; coluna do meio, pois. No entanto, pelo que se conhece, muitos problemas advirão. É preciso de mais tempo e este será o senhor da razão.

Permita-me um alerta, sem qualquer ilação: a agricultura não pode se basear em aritmética, decidida na ponta do lápis, mas em dados agronômicos consistentes. Um exemplo para aclarar essa questão. Em 1980, eu era Diretor do Centro de Pesquisas do Cacau, quando a Ceplac implantou o projeto camarão, justamente sem convicção técnica, mas acreditando num produtor de cacau que viajara ao Equador e se entusiasmara com a carcinicultura. Na ponta do lápis fez diversos cálculos e concluiu que os mangues de Camamu poderiam render mais dólares que o cacau, enriquecendo a região. A CEPLAC embarcou nessa canoa furada e se naufragou, afundando-se na lama dos caranguejos, literalmente.

Finalizando, aconteça o que acontecer, a cacauicultora tropical-conservacionista implantada pelos pioneiros do Sul da Bahia, bem como pelos colonos da Amazônia, não pode ser relegada. Pelo contrário, urge um Programa Integrado de recuperação da primeira, pari passo à expansão pelas terras de origem da segunda.

(Maceió, AL, 11 de abril de 2023)

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 27 de março de 2023

PEDIDO IMPERATIVO DOS BISNETOS.

 Recebi uma espécie de intimação de meus bisnetos; escrever um livro para a sua galera. Então, como não sou de fugir da raia e eles sempre mandam, estou concluindo o livro, cuja capa provisória insiro.

LUIZ FERREIRA DA SILVA

(Conto de ficção no âmbito da imaginação e da criatividade infantil).

O MENINO QUE VENDIA CAVACO E ENCANTOU O MUNDO COM SEU TRIÂNGULO MÁGICO.

2023

E para que o  leitor tenha uma ideia da obra, eis um resumo que será inserido na contracapa:


Juquinha é o personagem dessa história, para conhecimento das crianças de hoje, que estão vivendo em outro mundo bem diferente. O dele não tinha celular, nem televisão e, tampouco, tablet. Pizzas, sanduiches maneiros e refrigerantes ... nem pensar!

A meninada tinha que ser criativa e habilidosa, construindo os seus próprios brinquedos e criando modos de lazer, sobretudo em grupos, a exemplo de pular corda, jogar pião e empinar arraias (pipas).

Quer saber mais? Leia o livro e se situe nos dois mundos diferentes. Não é só para crianças; para os adultos também.

 Não se trata de um livro infantil do tempo das carochinhas, mas uma conversa com as crianças, situando-as num mundo anterior, com uma munição de informações, conhecimentos e aprendizagens.

Quer saber mais? Leia o livro e se situe nos dois mundos diferentes. Não é só para crianças; para os adultos também.

(luizferreira1937@gmail.com)

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Até junho, deverá estar saindo do forno da Scortecci Editora/São Paulo.




sábado, 25 de março de 2023

QUE SÓ CARANGUEJO.

 BRASIL, ZIL, ZIL....

O caranguejo anda para os lados e também para trás. É mais eficiente que o BRASIL que, de há muito virou o holofote do futuro. Antigamente, dizia-se: AMANHÃ, MELHOR DO QUE HOJE. No caso brasileiro, presentemente: HOJE, PIOR DO QUE ONTEM.

O nosso país embicou em busca da mediocridade sob os aplausos da mídia economicista e dos políticos retrógrados. 

O que era bom ficou para trás. O pior tomou conta e cresce apagando a luz que visualizava o futuro.

Tudo se esculhambou. Até o esdrúxulo BBB, que no tempo do Pedro Bial já nos causava perplexidade, agora com Tadeu Smith virou um mangue, na acepção chula da palavra.

Os shows das grandes cantores (as) que sabiam cantar e encantar, atraindo as famílias, passaram a um palco de bundas balançantes, histerismo e até difusão de drogas.

Os pobres ficaram mais pobres, com o agravante de se contentarem com as bolsas políticas, preferindo-as à luta por uma vida suada e digna. O pior,  complementando com a mendicância infantil.

O transporte, as Escolas públicas e os Hospitais públicos pioraram ladeira abaixo.  

Excetuando-se os parentes de políticos e os empresários que sonegam impostos, ninguém mais pode se ufanar da Nação.

Então, aquela luz que a gente enxergava como o futuro do nosso país, que emitia raios de esperança, transformou-se no isótopo césio-137.

VICHE!!!!

 

sexta-feira, 24 de março de 2023

NO MATO SEM CACHORRO.


 Anos atrás, engajei-me na corrente abaixo PT, fora Lula. Mesmo com tiro no escuro, pois a opção era desqualificada,  fechei os olhos e entreguei a Deus. O desastre foi tão grande, que retornei ao status anterior,  por maior estupidez que fosse. 

Em três (3) meses,  um foguetório de fumaças, eivado de dúvidas e interrogações. Trocou-se o 6 por meia dúzia?

Os dados são de assustar; pelo menos a mim:

*. Haddad, Ministro da Economia, sem qualquer cacoete com números, gestão ou visão;

*. Dilma, presidente do banco dos Brics, com salário astronômico;

*. Bolsas exageradas para incentivar a pobreza e desestimular o estudo e o trabalho;

*.Ser reconhecido a qualquer custo como ESTADISTA,  dando vasão ao seu ego de "porretaço", o cara;

*. MST invadindo propriedades rurais produtivas; 

*. Conluio com a podridão política do congresso Nacional; e

*. Frases de efeitos para aplausos da sua galera e ilusão da pobreza, continuando a mesma cartilha petista.

É lógico que é pouco tempo, mas são sintomas que dão arrepios e não lançam raios de uma retomada do país ao crescimento e à decência pública. 

O Presidente não pode jogar no lixo esse seu mandato, uma dádiva do povo, que esqueceu ou minimizou o seu passado tumultuado na justiça e apostou na sua redenção, na sua liderança, na sua capacidade gerencial. 

Resta-nos torcer pelo bem do Brasil, pois a continuar o mesmo "rame-rame" já conhecido de dantes, ninguém aguentará mais.

(25/03/2.023)



terça-feira, 21 de março de 2023

O UNIVERSO EM DESALINHO


 No aspecto físico, o nosso planeta foi mal projetado. Dizem que foi Deus quem o criou. Esqueceu de colar as placas tectônicas. Ou fez de propósito para o Homem resolver e se safar.

No aspecto moral, a esculhambação vem de longe. Sodoma e Gomorra que nos diga. Deus não aguentou e as implodiu. 

Século 21;

O Homem resolveu mexer geral. Privilegiou a energia fóssil e passou a perturbar embaixo e em cima. Ganhou muito dinheiro e se sentiu o dono do mundo.

Criou leis a seu favor, manteve o poder escravagista e deu uma banana para os princípios morais.

A agricultura , uma arte humilde de sobrevivência com o uso conservacionista da terra, deu lugar às plantations,  cujo mote é garimpar ao máximo, deteriorando os recursos naturais.

As águas mal utilizadas; desperdiçadas e/ou poluídas. O mar agredido.

As florestas em exploração predatória, afetando a fauna.

Neste contexto esdrúxulo, a única voz vem da Natureza.  Ela não perdoa a quem contraria as suas leis. A nossa perspectiva de um revorteio está nela. 

No lado da moralidade, não se tem muita esperança. A corrupção é ampla e irrestrita. Vírus sem vacina.

O que fazer?